E quando eu me olho no espelho que eu não sei mais quem eu sou, sem os cabelos cumpridos, sem a barba por fazer, a maioria das vezes. Eu olho para esse estranho que tem compromissos profissionais,  que se preocupa em horários, que busca uma estabilidade profissional.

Estabilidade era uma palavra proibida no meu glossário há um tempo. Estranho que para fazer nossos sonhos acontecerem devemos ás vezes abrir mão de algumas coisas menores. Sim eu sei, eu sei que eu preciso manter uma carreira, uma estabilidade, para poder viabilizar as condições necessárias para realizar os meu sonhos. Mas eu ainda fecho os olhos e vejo os lugares que eu quero visitar. Eu ainda sei o que eu quero fazer e essencialmente eu ainda sem quem eu sou.

Porque é isso que nos faz humanos, saber quem somos, ter nossos princípios e sonhos e nunca abandoná-los. Mas porque isso é importante hoje? Porque amanhã eu posso não saber quem eu sou, acabar seqüestrado por uma condição da vida e esquecer porque eu fiz tudo o que eu fiz. Esquecer que eu comecei a programar para fazer um gerador de personagem de RPG.

Esquecer que eu programo, trabalho, só por um motivo, para mergulhar, para conhecer novos lugares, para estar com quem eu amo. Eu paguei caro as besteiras que eu fiz na vida, eu chorei, eu sofri, eu quase morri. Sendo honesto, tudo que eu quero agora é lembrar todo o dia que o cabelo já não está lá. Mas o headbanger ainda vive, a barba não está mais lá, mas é porque coça. Que a idade chega, mas a pessoa não mudou, pelo menos não no que ela tem de mais essencial. Os sonhos e os valores.

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